segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A epistemologia escatológica de Wolfhart Pannenberg

A epistemologia escatológica de Wolfhart Pannenberg[1]

Considerado um dos teólogos sistemáticos mais importantes da atualidade, Wolfhart Pannenberg merece uma analise pormenorizada do seu pensamento sobre a escatologia.  Ele se refere a três aspectos: a escatologia e o senhorio de Deus, o modo de estabelecer as declarações escatológicas e a relação en­tre escatologia universal e individual e a obra do Espírito Santo na consumação da criação.

1.     A importância do reino para a escatologia cristã
Sua afirmação inicial é que "O futuro do reino de Deus por cuja vinda os cristãos oram nas palavras de Jesus (Mt 6.10) é o ponto central da esperança cristã".
Chama a aten­ção que um tema tão central como o reino de Deus não tenha desempenhado um papel dominador na escatologia cristã como se poderia esperar. Depois de rastrear algumas menções do reino na patrística e na escolástica, Pannenberg destaca que somente na teologia federal de Johannes Cocceius o reino de Deus vem a ser considerado outra vez como um tema dominante na salvação e na escatologia". No entanto, essa menção do reino está em intima relação com o conceito de igreja (como sua consumação) e nos lem­bra Agostinho.
Por que a escatologia é importante? Nosso autor afir­ma que, “como Deus e seu senhorio formam o conteúdo cen­tral da salvação escatológica, a escatologia não é o tema de um simples capitulo na dogmática; ela determina a perspec­tiva da doutrina cristã como um todo."
 Contudo, qual é a relação entre reino e escatologia? Pannenberg dá à sua idéia a força ou paradigma próprio de sua teologia, ou seja, a revelação de Deus na historia. A vinda do reino é o funda­mento da mensagem de Jesus e, portanto, sem a concretização desse futuro, ele perde a sua base. Pannenberg afirma que "O futuro do reino de Deus já está presente pela obra de Deus entre os que crêem nele e em sua mensagem, bem como seu poder de transformar suas vidas na terra. Isso foi tornado manifesto no evento da ressurreição de Jesus." Esse fato constitui para Pannenberg o aspecto proléptico" da ação de Deus, ou seja, o futuro se antecipa no ato da ressurreição de Jesus.

Pannenberg reconhece que o tema da escatologia foi atualizado no século XX, e cita Karl Barth, para quem um cristianismo que não é totalmente escatologia não tem nada a ver com Cristo. 



[1] Alberto Roldán,  Do terror à esperança, Londrina: descoberta, 2001, pgs. 165-175.

Nenhum comentário:

Postar um comentário